Transições
O que não quer levar consigo para o novo ano?
O fim do ano chega quase sempre com pressa. Há prazos para fechar, festas para organizar, pessoas para ver e, muitas vezes, a sensação de que se devia chegar a dezembro com tudo resolvido.
No meio disto, há um cansaço que se foi instalando aos poucos. Vamos levando tudo para a frente porque a vida não para: há sempre algo para resolver, alguém para cuidar, decisões para tomar.
Olhar para trás sem se julgar
Antes de pensar no que vem, vale a pena olhar para o que foi vivido, com honestidade e com alguma gentileza.
Há pessoas que terminam uma tarefa e já estão a pensar na próxima, que conseguem algo importante e, em vez de respirarem, começam logo a olhar para o que ainda falta. Se se reconhece nisto, experimente fazer o contrário: repare também no que conseguiu, no que aguentou e no que aprendeu, mesmo que o ano não tenha corrido como esperava.
O peso que não precisa de seguir viagem
Às vezes, o desconforto não vem do ano que acaba. Vem de perceber que há coisas na rotina que já cansam, relações onde continua a diminuir-se, limites que nunca coloca e formas de viver que deixaram de fazer sentido.
Nem tudo se resolve numa noite de passagem de ano, nem precisa. Mas pode começar por uma pergunta simples: o que é que não quer levar consigo para o próximo ano? Porque recomeçar também pode ser escolher diferente.
Um exercício para estes dias
Reserve um momento tranquilo, com papel e caneta, e responda sem pressa a três perguntas:
- O que quero levar comigo? O que me fez bem, o que aprendi, as pessoas e os hábitos que me ajudaram.
- O que quero deixar? Exigências que já não fazem sentido, compromissos que pesam mais do que acrescentam, culpas que carrego há demasiado tempo.
- De que preciso para começar o ano? Descanso, um limite, uma conversa adiada, um pedido de ajuda.
Em vez de uma lista longa de resoluções, escolha uma ou duas mudanças pequenas e concretas. E lembre-se de que descansar não é preguiça, falta de vontade ou perda de tempo: é uma necessidade do corpo e da mente.
Quando esta época pesa mais
Para algumas pessoas, o fim do ano é sobretudo difícil: pela saudade de quem já não está, pela distância da família, pela solidão ou por um ano que deixou marcas. Se é o seu caso, não há uma forma certa de viver estas semanas. Pode fazer menos, escolher com quem quer estar e pedir apoio.
Se precisar de falar com alguém já, a SOS Détresse oferece escuta por telefone no 45 45 45. Em situação de urgência, ligue para o 112.
Pedir ajuda também é cuidar de si
Pedir ajuda é um gesto de atenção e de cuidado consigo, antes que o peso se torne maior do que devia. Se quiser preparar esta transição com acompanhamento, na primeira chamada conversamos sobre o que o traz e sobre se o meu acompanhamento é o mais indicado para si.
Conteúdo de psicoeducação e reflexão. Não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico individual. Se algo do que leu lhe disse respeito, fale comigo.